Quando iniciei, há alguns meses, esta longa série de colunas sobre armazenamento remoto, ou “na nuvem”, tinha por objetivo descrever e, ao final, comparar as vantagens e desvantagens de três diferentes tipos de armazenamento remoto.
O primeiro, cujo paradigma analisado foi o fornecido pela Iomega, é aquele que se denomina “nuvem pessoal” no qual os arquivos, gerados e alterados por aplicativos instalados na(s) máquina(s) do usuário, permanecem armazenados em um objeto físico, um servidor de arquivos pertencente ao usuário e fisicamente conectado à sua própria rede (NAS, de Network Attached Storage), mas que pode ser acessado remotamente de outros computadores via Internet usando um aplicativo instalado em cada máquina que administra este acesso.
No segundo, cujo paradigma foi o Dropbox, os arquivos, também criados e editados por aplicativos instalados na(s) máquina(s) do usuário, são armazenados efetivamente “na nuvem”, ou seja, nos servidores da empresa Dropbox, mas cópias deles permanecem no(s) computador(es) do usuário e são sincronizadas com aquelas mantidas na nuvem por um aplicativo que se instala em cada computador e nele cria uma pasta Dropbox.

O terceiro, mais radical, se baseava no modelo oferecido até recentemente pelo Google Docs, segundo o qual nada se instalava no(s) computador(es) do usuário. Tudo permanecia exclusivamente na nuvem, inclusive os aplicativos usados para criar e editar os arquivos. Era o conceito do SaaS (“Software as a Service”, ou “Programas como serviço”) que dispensava inteiramente o sistema operacional da máquina, posto que tudo, inclusive a organização e administração dos arquivos através das coleções discutidas na coluna anterior era feito exclusivamente dentro do programa navegador. O computador do usuário funcionava apenas como ferramenta de acesso via Internet aos arquivos e aplicativos.
Pois bem: a proposta continua de pé e a comparação – que deveria ser feita a partir desta coluna – será feita no seu devido tempo. Pois precisou ser adiada em virtude de alterações radicais feitas recentemente – mais precisamente cerca de duas semanas antes do momento em que esta coluna está sendo escrita – pela empresa Google nos serviços por ela oferecidos. Mudanças estas que alteraram o próprio conceito de SaaS onde “tudo fica na nuvem” pois consistiram na transformação do velho Google Docs no novo Google Documentos, que exige a instalação de um software na máquina do usuário, o Google Drive.

Vamos ver, ainda que de forma superficial, que alterações isto implica.
Como dito acima, o Google Drive é um aplicativo que deve ser transferido do sítio da Google e instalado no computador do usuário. O processo é simples e direto: baixe o arquivo de instalação, instale-o, registre-se como usuário (ou seja, faça o “logon”) e deixe o programa fazer o resto.
“O resto” é uma coisa muito simples mas que, dependendo da quantidade e do tamanho de seus arquivos Google Docs, pode demorar algum tempo: criar uma pasta em seu disco rígido (pasta mesmo, não coleção; estamos falando agora do sistema operacional Windows, Mac OS ou Android, pois há uma versão do instalador do Google Drive para cada um deles) e nela copiar (gratuitamente, até o limite de cinco GB, pago a partir daí) parte do o conteúdo que até então era armazenado apenas na nuvem: documentos e coleções. Terminado o processo, a pasta Google Drive (é este o nome que lhe é atribuído pelo aplicativo) será um espelho de seu espaço de armazenamento do Google Docs na nuvem, com seus arquivos e coleções (estas, sob a forma de pastas). Um clique em um destes ícones fará com que o objeto se abra para edição dentro de seu programa navegador – o que exige, naturalmente, que você esteja conectado à Internet, pois mesmo considerando que o que você está abrindo é uma cópia armazenada em seu disco rígido, o software usado para edição está nos servidores do Google. Ou seja: tanto quanto me foi dado perceber, o Google Drive oferece um meio para que você visualize o conteúdo dos arquivos se não estiver conectado, mas não permite alterá-los.
Todo arquivo que você arrastar para o interior de sua pasta Google Drive será sincronizado com seu espaço de armazenamento na nuvem e convertido para o formato usado pelo software de edição (os documentos de texto ganharão a extensão “.gdoc” e as planilhas “.gsheet”). É possível usar o gerenciador de arquivos do sistema operacional (por exemplo, Windows Explorer) para organizar arquivos no interior da pasta Google Drive que, sob este aspecto, funcionará como qualquer outra. Mas, ao contrário por exemplo do Dropbox, que insere uma entrada no menu de contexto de cada objeto contido na pasta Dropbox com ações que afetam apenas aquele objeto, o Google Drive (pelo menos por enquanto) não faz isto. Na verdade a integração do Google Drive com a interface do sistema operacional é mínima e vai pouco além de permitir mover ou remover arquivos e criar pastas em seu interior (e sincronizar tudo isto com a nuvem, evidentemente).
O resultado de tudo isto é que, exceto um ou outro detalhe, o novo Google Documentos nada mais é que o mesmo Google Docs de sempre que, agora, guarda na pasta Google Drive do disco rígido de seu computador uma cópia do conteúdo de seu espaço de armazenamento na nuvem e as mantêm sincronizadas. Tornou-se uma espécie de coisa híbrida entre o antigo Google Docs e o Dropbox, mas manteve na nuvem o software de edição.
No que me diz respeito, honestamente, achei que a coisa ainda está meio crua. É verdade que tudo é muito novo, está nos estágios iniciais e a Google, por tudo o que tem feito, merece um belo quinhão de crédito, portanto há de se presumir que as coisas irão evoluir e o Google Drive vai melhorar bastante. Por enquanto eu o considero não mais que um produto (muito) promissor, porém ainda em estágio beta.
No mais, é esperar e acompanhar a evolução para ver no que dá.
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